
É interessante como a capacidade de distorção dos ateístas é vigorosa quando se trata dos textos bíblicos. Praticamente nada vemos partindo deles em relação aos textos de outras fé (muito pouco em relação aos islâmicos e nada em relação aos conceitos das religiões de matizes africanas). Ou seja: os ateus são anti cristãos, críticos suaves do islamismo e defensores árduos das seitas de origens africanas.
Mas vamos dar início as análises dos memes maliciosos dos ateístas:
Deuteronômio 22 estaria mesmo aprovando uma situação tão esdrúxula como essa de obrigar uma mulher que foi estuprada a se casar com seu agressor?
Vamos ver o que nos diz Dt 22:28-29
"Se um homem encontrar uma jovem virgem, que não seja casada, e, tomando-a, dormir com ela, e forem apanhados, 29. esse homem dará ao pai da jovem cinqüenta siclos de prata, e ela tornar-se-á sua mulher. Como a deflorou, não poderá repudiá-la em todos os dias de sua vida."
Observem que os ateus se utilizam da palavra “encontrar” para passar a idéia que a mulher estava na rua e foi abordada por um homem com propostas sexuais agressivas e não consentidas. Mas na verdade o sentido está tão somente no fato de um homem ter relações com uma moça sem casar com ela anteriormente. Para os judeus, uma jovem deve guarda sua virgindade para o seu marido e somente a perdê-la durante a consumação do seu casamento. Portanto, toda mulher jovem e não casada que não era virgem, e assim se encontrava por ter tido relações consentidas com um homem, deveria ser protegida. Assim o homem que se envolveu com ela teria a obrigação de tê-la como esposa e de protegê-la e mantê-la, a partir daí. Assim se evitaria que ela fosse desprezada pela sociedade.
Veja que essa proteção também procurava evitar que um homem a desprezasse facilmente com o recurso de falsidade em relação a sua virgindade (sinônimo de pureza e correção). Punindo-o com castigo e multa:
Deuteronômio, 22 :13-19
"13.Se um homem, depois de ter desposado uma mulher e a ter conhecido, vier a odiá-la, 14.e, imputando-lhe faltas desonrosas, se puser a difamá-la, dizendo: desposei esta mulher e, ao aproximar-me dela, descobri que ela não era virgem, 15.então o pai e a mãe da donzela tomarão as provas de sua virgindade e as apresentarão aos anciães da cidade, à porta. 16.O pai dirá aos anciães: dei minha filha por mulher a este homem, mas porque ele lhe tem aversão, 17.eis que agora lhe imputa faltas desonrosas, pretendendo não ter encontrado nela as marcas da virgindade. Ora, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão diante dos anciãos da cidade a veste de sua filha. 18.E os anciãos da cidade tomarão aquele homem e fá-lo-ão castigar, "19.impondo-lhe, além disso, uma multa, de cem siclos de prata, que eles darão ao pai da jovem em reparação da calúnia levantada contra uma virgem de Israel. E ela continuará sua mulher sem que ele jamais possa repudiá-la."
Em Dt 22:28-29, o pagamento de 50 ciclos se refere ao dote que o marido, segundo as tradições e a lei, deveria pagar ao pai da noiva, como uma compensação por tudo que o pai já havia gasto até aquele momento com a sua futura esposa. Isso só ocorre em situação legal de casamento e não em um ato criminoso de estupro.
É certo que a punição para o adultério e a prostituição, é considerada, aos olhos modernos, muito severa. Hoje é inconcebível até que a prostituição e o adultério sejam considerados crimes. Porém, esta era a lei vigente e visava além da manutenção dos princípios morais (coisas que hoje foram desprezados em nome de uma liberdade irrestrita, que nada mais é que uma libertinagem permitida) também o controle de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, que para tribos do deserto significaria a ameaça de extinção total delas em poucos anos.
Mas como o Antigo Testamento trata de fato a questão do estupro?
Vejamos o que nos diz o texto bíblico do Antigo Testamento no próprio capítulo em questão aqui analisado, Dt 22, nos versos 25 e 26.
Deuteronômio, 22:-25-26
"25.Mas se foi no campo que o homem encontrou a jovem e lhe fez violência para dormir com ela, nesse caso só ele deverá morrer, 26.e nada fareis à jovem, que não cometeu uma falta digna de morte, porque é um caso similar ao do homem que se atira sobre o seu próximo e o mata:"
Observe que a questão da violência é colocada nestes versos. Isso não ocorreu nos outros, que, tão somente colocaram que eles se deitaram e consumiram o ato sexual (de comum acordo, é o que está implícito).
Essa permissão do ato sexual também é posto em outros versos quando afirma que a moça “não gritou”, ou seja, não se manifestou contrária ao ato, caracterizando-o como um ato consentido pelos dois, tornando-os adúlteros ou promiscuo-os.
Deuteronômio, 22:23-24
"23.Se uma virgem se tiver casado, e um homem, encontrando-a na cidade, dormir com ela, 24.conduzireis um e outro à porta da cidade e os apedrejareis até que morram: a donzela, porque, estando na cidade, não gritou, e o homem por ter violado a mulher do seu próximo. Assim, tirarás o mal do meio de ti."
“Gritar” não necessariamente está relacionado ao ato de soltar um grito, mas sim ao de se manifestar em contrário a violência ao qual está sendo submetida. O contrário “não gritar” significaria que a mulher aceitou o ato de bom grado.
Não há machismo na situação já que a punição (por mais severa que a consideremos) é atribuída aos dois que cometeram o delito.
Conclusão:
É falsa a interpretação de estupro e da obrigação de casar a vítima com o homem que a estuprou. O que se tenta é garantir a mulher que o homem que se envolveu sexualmente com ela, em um ato de comum acordo, seja responsável por ela em todos os sentidos. A lei é totalmente voltada à proteger mulher e não o contrário.